Conhecimento popular: a sabedoria sobre a natureza e a preocupação já vem desde os Povos Indígenas.

No mês de agosto, no dia 9, foi criada uma data para homenagear os Povos Indígenas. Essa data foi criada pela ONU, com intuito de homenagear e reconhecer as tradições e contribuições culturais e reafirmar as garantias previstas sobre os Direitos do Povos Indígenas.

Você sabia que muito do conhecimento científico de hoje foi iniciado através de observações e trocas de conhecimentos com os povos tradicionais? Apesar de haver muitos questionamentos, frutos de antigos pensamentos e crenças de preconceito, a ciência e o conhecimento tradicional estão interligadas há muito tempo. Há um falso pensamento de que o conhecimento científico é mais importante que o conhecimento tradicional, mas a verdade é que os dois tem o mesmo valor e um pode complementar e ajudar o outro.
Atualmente existem diversas iniciativas que visam resgatar, integrar e valorizar o conhecimento tradicional. Hoje, as universidades buscam integrar o conhecimento dos povos tradicionais, em disciplinas que abordam a importância desse conhecimento.
É o chamado etnoconhecimento que se refere especialmente ao que os indígenas, quilombolas, pescadores e outras comunidades tradicionais ou locais e que buscam viver em sintonia com o ambiente e seus recursos naturais, têm para ensinar as pessoas que vivem no meio mais urbanizado.
Um exemplo disso é a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que oferece disciplinas do Programa Transversal em Saberes Tradicionais. As disciplinas são ministradas por xamãs indígenas, afrodescendentes, cantores de congado, reisado e candomblé e pesquisadores convidados. A ideia é romper com a hierarquia entre pesquisadores e “pesquisados”. Existem conhecimentos tradicionais na área de educação, saúde, arquitetura, biologia, química, bioquímica etc. Os mestres e sábios trazem outra forma de ensinar, baseadas em testemunhos, canções, narrativas míticas, para falar de plantas medicinais, cerâmica, arquitetura, técnicas de saúde, entre outros.
A etnobotânica, isto é, a ciência que estuda as plantas medicinais, demonstra a ligação entre a ciência e os conhecimentos tradicionais. Estudos mostram que cerca de 75% dos princípios ativos isolados de plantas superiores foram indicados por comunidades tradicionais.
Tudo isso nos mostra que os povos indígenas tem muito conhecimento a nos transmitir, o conhecimento sobre as plantas medicinais pode trazer muitas descobertas para o tratamento de doenças. Para os índios, nós estamos interligados e conectados com a natureza, o respeito e a importância que cada elemento da natureza tem é o olhar diferencial que eles possuem para manter uma relação saudável e sustentável com o meio em que vivem. A relação que esses povos tem com a natureza e a forma como eles vivem integrados com o meio em que vivem, é algo que precisamos observar e aprender.
E aí gostou de saber mais um pouco sobre os povos indígenas? Espero que tenha despertado em você um novo olhar sobre a cultura dos povos tradicionais e uma nova possibilidade de olhar e se relacionar com a natureza em sua volta.
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